É conhecimento de todos que o Senhor criou as melhores coisas do mundo e inspirou os homens a também desenvolverem invenções boas. Há uma história bastante antiga que ilustra isso. Porém, ela sofreu um equívoco que, ninguém sabe como, perpetuou-se até os tempos atuais. Ainda se acredita que foram os homens (ou quase isso) que idealizaram a primeira parada gay, mas este livro revelará a verdade por trás da máscara de lantejoulas.
No velho testamento as coisas andavam meio paradas. Era sempre aquele tédio homem com mulher, menino com cabra, ele consigo mesmo… Foi então que Deus resolveu abalar geral. Chegou para Noé e disse: “Construa algo que seja grande e que flutue sobre as águas. Depois reúna uma bicharada e mais a sua família e se abriguem na construção”.
Passaram-se meses até o dia em que Noé terminaria a sua obra: uma boate (o equívoco talvez tenha ocorrido por acharem que fosse “boat”) retrô em madeira. Luxo total! Os convidados adoraram. Carregaram o lugar de Smirnoff e lá passaram 40 dias e 40 noites. Deus, para garantir que nenhum bicão entrasse na festa, inundou todo o mundo. Assim, na festa VIP de Noé, a suruba rolou solta: elefanta e formiga pondo as aranhas pra brigar, o leão comendo o veado (e vice-versa), fora o jogo do careca no cabeludo.
Tudo ia bem quando uma catástrofe abalou a todos: a vodka acabou. Pensa só no desespero. Até que Noé teve a idéia: “Gentcheeee! Pára tudo!”. E propôs que enviassem a Pombinha (engana-se quem diz que era um pássaro, era, na verdade, uma garota lésbica, como adivinhou Aluízio de Azevedo milhares de anos depois), que era ágil, em busca de mais bebida.
A menina pulou no mar revolto quando viu algo fantástico: um arco íris. Tão deslumbrada estava que esqueceu de nadar e se afogou. Diante da cena, alguns bichos pularam na água para salvá-la, mas foi em vão. Ela já estava morta.
A festa estaria acabada não fosse a ajuda cair dos céus. De lá se ouviu uma voz imponente: “Bebam sem moderação”. “Oras, beber o que?”, perguntaram-se todos. De repente veio aquele estalo. As bichas que haviam pulado no mar se deram conta de que estavam imersas na mais pura vodka russa. Assim, seguiram-se outros 40 dias de farra homossexual. Enquanto isso, a galera só que bebia o mar…
Ao fim desse tempo, o mundo voltou a possuir terras firmes e tudo retornou ao seu lugar. Os sobreviventes fizeram o sacrifício de procriar. Até hoje, seus descendentes vivem em eterna ressaca. E, volta e meia, comemoram a primeira parada gay, que abalou geral - lógico, todos que não estavam na boate de Noé morreram lenta e dolorosamente! – sempre com direito a muita pompa e plumas em homenagem ao sacrifício da Pombinha em busca da bebida sagrada.